Mensagem do Presidente

Em 2016, consolidámos e continuámos a fazer crescer as nossas operações no negócio
tradicional de infraestruturas e demos passos importantes na construção do nosso novo modelo de negócio, focado na mobilidade.

A missão que a Brisa fixou para este exercício foi cumprida, com o reforço da robustez financeira e operacional, a dinamização do desenvolvimento de um novo posicionamento e de uma nova oferta no setor da mobilidade e um foco maior nas pessoas. 

Robustez Financeira e Operacional

A evolução do tráfego manteve-se alinhada com a tendência observada nos últimos anos, com um crescimento em todas as concessões face a 2015, e aproximando este referencial fundamental da nossa atividade dos valores anteriores ao período de ajuste económico de Portugal. A melhoria do tráfego foi acompanhada pelos resultados financeiros. O resultado líquido foi de 256 milhões de euros, os proveitos cresceram 5,3% e os custos operacionais consolidados mantiveram-se estáveis, com um impacto positivo no resultado operacional (EBITDA) que aumentou para 484 milhões de euros. Assim, apesar do investimento realizado na melhoria contínua da rede, a principal meta financeira foi superada. A geração de caixa (EBITDA-CAPEX) registou um crescimento de 6,6% e fixou-se em 426 milhões de euros. 

A continuada evolução positiva deste e de outros indicadores, como por exemplo a evolução do peso da dívida (a Dívida Financeira Líquida / EBITDA diminuiu para 4,2x), bem como as notações atribuídas à Brisa Concessão Rodoviária (BCR) pela Fitch Ratings e pela Moody’s, as quais estabilizaram no nível de investment grade e superiores às da República Portuguesa, são provas muito concretas da robustez financeira da Brisa. O desempenho não-financeiro da Brisa, designadamente, no plano ambiental, também merece ser salientado, pela estabilidade do progresso em indicadores de consumo como os da eletricidade (-3,7%), dos combustíveis (-1,4%) e da água (-11,6%). Em paralelo com o reforço da robustez financeira, desenvolvemos ainda um plano geral de fortalecimento das nossas operações e dos nossos ativos, ao nível de ativos maduros e sólidos, como a Brisa Operação e Manutenção ou ainda como a concessão Atlântico, e ainda ao nível dos restantes ativos concessões e subconcessões. É importante realçar, quanto a estas últimas, os projetos de reestruturação de capitais em curso na concessão Douro Litoral e na concessão Litoral Centro, cujos processos arbitrais originaram compensações significativas, bem como os processos de renegociação das subconcessões Baixo Tejo e Litoral Oeste, cujo bom desempenho operacional é assinalável. Este ano será ainda recordado pela alienação da totalidade da participação na concessão Northwest Parkway, nos Estados Unidos, cuja venda teve um impacto significativo e bastante positivo nos resultados da Brisa de 2016. 

Dinamismo e transformação do Negócio

O mundo digital, a afirmação da escolha individual, a integração de modos de transporte, os modelos de negócio colaborativos e a economia da partilha são os principais fatores de mudança da Brisa, da era dos transportes e das infraestruturas para a era da mobilidade individual. Em coerência com esta visão, investimos em tecnologia e em novos serviços de mobilidade. A nossa primeira prioridade foi a revisão profunda da nossa relação com o cliente – um elemento essencial da nossa cadeia de valor -, através da melhoria do serviço e do atendimento e da construção de uma relação melhor e mais próxima. A melhoria da experiência do cliente foi alvo de numerosas inovações, que envolveram a criação da Via Verde Contact, o desenvolvimento de novos canais digitais e a promoção do selfcare. Entretanto, prosseguimos o desenvolvimento de uma oferta integrada de produtos e serviços Via Verde, que de modo crescente irá fazer parte do dia-a-dia dos portugueses. Em 2016, atingimos os 3,3 milhões de identificadores e duplicámos as adesões à Via Verde face a 2014. A Via Verde Leve, lançada em 2016, para clientes não frequentes é um exemplo do trabalho em curso. Ao mesmo tempo, o projeto Via Verde Mobilidade começa a tornar-se realidade, com o lançamento do serviço Via Verde Estacionar, em várias cidades portuguesas e, também, com a montagem de pilotos de outros serviços relacionados com a mobilidade urbana e metropolitana. Os projetos na área da mobilidade partilhada e da mobilidade avançada registaram, também, progressos consistentes e são motivo de grande expetativa quanto a 2017. É importante referir o trabalho realizado pela Brisa Inovação e Tecnologia (BIT) que, em 2016, se empenhou no desenvolvimento de um novo posicionamento comercial, de uma nova oferta e de uma nova marca, focados nas soluções tecnológicas para o novo setor da Mobility-as-a-Service.

Foco nas Pessoas

Esta dinâmica reflete-se no relacionamento do Grupo com os seus clientes e com as restantes partes interessadas, como comprova o desempenho das marcas Brisa e Via Verde em diferentes índices de reputação e de imagem. Concentrámos as nossas atenções nos nossos clientes, mas, não descurámos outros grupos de pessoas muito importantes para a Brisa. Neste contexto, os colaboradores têm um papel fundamental para o crescimento e o futuro da empresa e são as pessoas que têm o contacto mais direto e mais constante com esta. A formação e as condições de segurança no trabalho estão entre as nossas principais preocupações e, este ano, conseguimos, novamente, não ter fatalidades laborais e reduzir o número de acidentes de trabalho. As grandes causas nacionais, e em especial a segurança rodoviária e o desenvolvimento social contam com a nossa empresa. A melhoria da segurança rodoviária nas concessões do grupo é um facto, e, num período em que a circulação nas mesmas aumentou, as taxas de acidentes com mortos e com feridos graves, tiveram quebras de 37,1% e de 30,3% respetivamente. As comunidades locais são outro grupo relevante para a Brisa, que tem aumentado a sua ação cívica, no plano dos donativos, no plano do voluntariado e também no domínio específico da prevenção rodoviária. 

Evolução no Modelo de Reporte

A Brisa publica este ano o seu primeiro Relatório Integrado, alinhada com os desafios e os compromissos globais desta década, designadamente os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e os princípios do UN Global Compact. Este documento, elaborado de acordo com as diretrizes propostas pelo International Integrated Reporting Council (IIRC), quer dar resposta às expetativas de informação das nossas partes interessadas sobre a estratégia, a gestão e o desempenho dos principais vetores de negócio da empresa, na dupla perspetiva da gestão dos riscos e da criação de valor sustentável. 2016 foi um ano de progresso para a Brisa, alinhado com os seus valores e com a sua visão, que nos deixa confiantes de que seremos capazes de concretizar os grandes desafios de 2017.

 


Vasco de Mello,
Presidente da Brisa